Escândalo no governo polonês..

A crise política na Polônia se agravou ainda mais nesta quarta-feira com a transmissão de imagens gravadas por câmeras ocultas, que provocaram pressões pela renúncia do primeiro-ministro.

Os conservadores do governo do premiê Jaroslaw Kaczynski estão tentando formar uma nova coalizão majoritária, por causa da saída do governo do partido esquerdista da Auto-Defesa, na semana passada, devido a discordâncias quanto ao orçamento e à decisão de enviar soldados para o Afeganistão.

Mas os esforços para obter a nova coalizão sofreram um duro golpe na noite de terça-feira, quando a emissora TVN transmitiu imagens do principal assessor de Kaczynski conversando com uma parlamentar da oposição e perguntando o que ela queria para mudar de lado.

Um partido de pequena expressão, mas que poderia definir a coalizão, decidiu, por causa das imagens, suspender as negociações com o governo.

"Estamos esperando o premiê Jaroslaw Kaczynski explicar isso", disse o líder do Partido dos Camponeses, Waldemar Pawlak. "A situação é muito grave".

Líderes do grupo governista Lei e Justiça negaram que tenha havido irregularidades e disseram que Kaczynski, que assumiu o poder no ano passado com a promessa de acabar com a corrupção no país, não vai renunciar.

A moeda local, o zloty, caiu 0,6 por cento em relação ao euro devido à avaliação de analistas de que aumentou a possibilidade de haver novas eleições no maior mercado emergente da Europa central.  "Será impossível para o premiê obter uma maioria funcional", disse o analista Lars Christensen, do Danske Bank.

A instabilidade política soma-se aos protestos antigoverno na Hungria, deflagrados pela admissão do primeiro-ministro Ferenc Gyurcsany de que mentira para o eleitorado.Num relatório sobre os novos integrantes da União Européia, o Banco Mundial advertiu na quarta-feira que as incertezas políticas e a fragmentação permitiram aos populistas ganhar mais influência na região, prejudicando o andamento das reformas.

As imagens da TVN mostraram encontros entre o vice-líder do Lei e Justiça, Adam Lipinski, e a parlamentar do Auto-Defesa Renata Beger. Lipinski parecia estar oferecendo um posto no governo para Beger, e também sugeriu uma possível ajuda financeira para que ela pagasse a multa por deixar o Auto-Defesa.

Donald Tusk, líder do maior partido da oposição, o Plataforma Cívica, acusou o governo de corrupção e disse que ele deveria renunciar.

O Lei e Justiça precisa do apoio do Partido dos Camponeses e de mais parlamentares independentes ou do Auto-Defesa para conseguir a maioria.

Beger disse que sabia que a TVN estava gravando seus encontros com Lipinski. O vice-líder do grupo governista disse depois à TVN que só estava tentando evitar que os deputados fossem ameaçados.

fonte: terra